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Abertura

Minha língua já ardeu em algumas ocasiões (gosto de comida apimentada), mas nunca como quando eu comi salsicha de frango (modo de falar ou marca de fantasia, pois o que menos há na lista de ingredientes são pedaços que podem ser classificados como “frango”) frita quente, acompanhada de um molho rosé de maionese e Sriracha e depois tomei uma dose ultragelada de Smirnoff Orange Twist.

Não sei se minha língua estava queimando com fogo ou com gelo, pois eu tinha a sensação de ter pincelado a língua com uma poção de capsaicina e mentol, ambos em amostras das mais puras possíveis.

sriracha

Sriracha é um molho (muito) picante feito de concentrado de néctar de ambrosia e filé de extrato de maná de uma safra especial cultivada por Vulcano e adicionado a gemas de ovos de fénix e livre de conservantes (a não ser pelo efeito estabilizante da saliva de dragão).
Recomendo.

otwist

Orange Twist é uma semivodca, uma bebida feita a partir de vodca (37,5% vol para a Smirnoff) mas que contém menos etanol, diluído pela adição de flavorizantes (uma fruta e uma dança, neste caso específico), mas que com 35%gl, ainda mantém um mínimo de moral, diferente da sua prima pobre e retardada, a Smirnoff Caipiroska, que tem a cara de pau de sair por aí com 21%gl fingindo que nada está acontecendo.

Aquela bebida tridestilada com um pouco mais de água do que deveria, produz um dos melhores drinks conhecidos por mim.
E sem muita dúvida, o mais raro.

A raridade de tal elixir se deve ao fato de apenas 33,33% dele ser composto por S. Orange Twist (já não tão comum em supermercados, frequentemente faltando em vários) enquanto 66,66% serem provenientes de Guaraná Ice, já retirado do mercado (eu fiz um estoque e mantenho algumas caixas na minha casa, mas elas não duraram muito, prevejo).

A experiência de beber tal concocção é inigualável, não apenas pelo sabor inicial (guaraná com laranja) mas também (principalmente) pela sensação que procede e que dura vários minutos, tanto mais intensa quanto mais volumosa.
Quando beber minha última latinha e a garrafa sair do mercado (como todas as coisas boas do mundo), terei que improvisar uma vodca com infusão de TicTacs sabor laranja e guaraná.

Antes que reclamem das minhas contas, as porcentagens acima contêm dízimas periódicas (equivalente numérico para 1/3 vodca, 2/3 refrigerante), mas mesmo que não fosse esse o caso, eu chutaria que 0,001% do que eu bebo é poeira que cai dentro do copo enquanto ingiro minha bebida.
Eu não uso gelo, preferindo usar líquidos sempre o mais gelado possível e insistindo que minhas vodcas mantenham domícilio permanente dentro do congelador.

Por enquanto é isso.
Bem-vindos ao Onde comer (e beber) em Natal.