Takami Japanese Restaurant

Local: Prudente de Morais, numa galeria na esquina com a Amintas Barros (a rua do Mangai) onde fica a Armas & Bagagens e o Center Carnes. A frente continua bem iluminada, dá para notar logo.
Perfil no Twitter – @takami_sushi

Telefone: (84) 3206-2551

Horário: de terça-feira a domingo, das 18h até meia-noite e abrindo para almoço das 12 às 15h, de sexta-feira a domingo.

Estacionamento: na calçada recuada da galeria onde se encontra, mas geralmente já quase cheio, com segurança (da casa), sem flanelinha.

A placa ficou mais bonita assim.

O Takami mudou de lugar. Agora está duas portas mais longe da esquina, onde antes se encontrava o Galileu.
O ambiente continua refrigerado e, em momentos mais movimentados, consideravelmente mais zuadento.
Esta nova unidade conta com doze mesas para quatro pessoas e uma mesa de casal e sempre que vou, ou está lotado ou em vias de encher. Recomendo chegar cedo ou sem agonia e disposto a esperar um pouco.

Já retornei algumas vezes desde a mudança de endereço e posso confirmar que consistência é uma das marcas da casa. O que você pedir num dia vai ser exatamente igual se pedido em outro.
Por exemplo, o harumaki (rolinho) de salmão (R$4,10 a unidade) agora faz parte do meu menu pessoal junto com anéis de lula empanados (R$17,90) que sempre, sempre vêm igualmente crocantes.
(Ainda no tema “consistência”, o shake karay felizmente mudou de nome; agora é o mais lusofonicamente seguro Shake Tamaki. Pode pedir sem medo de errar a pronúncia.)

Devido ao estrondoso sucesso (meu apelido carinhoso para quando este blogue aparece em primeiro lugar no Google) do meu artigo de dois anos atrás, fui convidado para uma degustação do novo cardápio (mentira, Daniel -o dono- é meu chapa e eu sou um cliente assíduo) que estreia esta semana, somente mediante reserva (por enquanto).

O começo do desmantelo surgiu na forma do Tartar de Atum Picante:

Acho que "tartar" é grego para "macio".

O tal do tartar é macio, quase gelatinoso e, da forma mais agradável possível, não tem aquele gosto forte de atum cru.
Sem dúvida o prato é picante, porém de uma forma especial, raramente encontrada na natureza restaurantícia; a pimenta vem e some, dá um alô, cumprimenta seu paladar e se despede com um sorriso, deixando apenas a memória das coisas boas que aconteceram entre ela e sua língua.
É como aqueles caranguejinhos de praia que se escondem em suas tocas quando você chega perto para investigar o porquê do chão estar se movendo. Você sabe que tem algo ali mas não tem tempo de sentir incômodo.

Aproveitando este momento, inauguro uma sessão mediadora que nomearei assim:

Palavra de Meire
Ligeiramente adocicado, provavelmente leva tarê, e tem uma pimenta muito leve. Não gosto nem de atum nem de pimenta, mas eles conseguiram juntar dois ingredientes que eu não gosto e tranformar num dos melhores pratos que já comi. Da próxima vez que vier aqui, pedirei o tartar.

Em seguida, o Tom Yum Goong:

Não, não é uma sopa.

E o que diabos é isso? O prato é descrito como “sopa tailandesa” e acho que o qualificante gentílico anula as propriedades descritivas do objeto, porque aquilo não é “sopa”.
E como eu sei disso? Dois motivos: 1 – a superfície não tem aquelas ilhas iridescentes de óleo flutuante, características básica de sopas, e; 2 – eu detesto sopa com todas as minhas forças e gostei bastante do prato (ou copo, como queiram).

Detalhe do Tom Yum Goong Clique para ampliar

Segundo Bárbara, esposa de Daniel, aquilo é uma receita tradicional tailandesa com “ingredientes especiais”, o que cria um conjunto original de textura interessante que leva shiitake, salsão e camarão. Este último mais no ponto que funcionário público, firme como aperto de mão de político, “como todo camarão deve ser”, segundo minha comparsa.
Um problema do Goong é que esfria ligeiro. Não vem de queimar o esôfago, vem na temperatura certa para ser degustado sem prejuízo para a integridade física das mucosas digestivas, mas deve ser tomado rápido para maximizar a experiência.

“Pronto”, pensei eu. Dois pratos novos, um bloquinho de anotações já bem cheio de detalhes e um sorriso no rosto, começo a me aquecer para ir embora.
Para um sujeito como eu, que sou chamado de “senhor” somente quando é seguido de “por favor, se acalme ou se retire” (© H. Simpson), ter o prazer e a honra de ser convidado para uma degustação de teste já é algo extraordinário e já estava me dando por satisfeito. Imaginem então a minha surpresa quando vejo isso pousando na mesa:

Quantos tipos de delícia podem existir num só prato? Clique na imagem e conte.

Não tenho todos os nomes individuais, mas se pedirem por “combinado de sushis especiais”, a chance disso aí surgir na mesa é praticamente 100% (descontando a possibilidade de desastres naturais ou revoltas populares).

Começando pelo que vem mais: 4 tabletes de atum selados nas bordas e coroados com cebolinhas e uma redução de cajá.
Sim, meus amigos, cajá. Eu nunca achei que usaria o termo “refrescante” para me referir a um peixe, mas não existe palavra mais adequada. E vem quatro!
Todavia, uma ressalva: é extremamente difícil capturar um deles pois o ato requer imensa proficiência com os pauzinhos.
Alternativamente, você pode pedir um garfo e resolver um problema inexistente.

Enquanto eu me deliciava com as notas de refrescância que meu palato adquiria, Bárbara veio conversar conosco e disse uma coisa que eu achei bastante interessante e relevante. Os pratos do Takami (especialmente, mas não exclusivamente, os novos) são concebidos por ela visando “refinar o paladar do natalense”, o que definitivamente é o diferencial do lugar.
Eu tenho uma convicção quase religiosa de que isso é uma das coisas que falta aqui: um público crítico, que não aceita qualquer porqueira que lhe seja oferecido, como um restaurante baiano que não serve comida da Bahia ou uma rede nacional de fast food que não mantém o padrão da marca e trata os clientes como uma raça inferior.
Quando alcançarmos uma massa crítica de pessoas esclarecidas, com bom senso e que entendem que “reclamação” é uma ferramenta para o progresso, teremos uma cidade onde vale a pena morar.
Voltando agora à programação normal.

Na foto, o segundo da direita para a esquerda da fila de cima é um sushi de peixe branco com polvo e cream cheese.
Analogamente à experiência de Meire com o tartar, eu fui conquistado por um conjunto de coisas que não aprecio, pois nunca gostei de peixe branco e acho que cream cheese deveria se conformar em permanecer no universo dos condimentos de sanduíches que não deram certo.
Porém, aquilo ali é feito da mais pura delícia, 100% excelente; um destruidor de paradigmas. É macio, apesar do polvo; suave, apesar do peixe branco; sedoso na língua, apesar do queijo; tem um sabor ligeiramente defumado (maçarico, talvez?) e ainda vem com um pedaço de cebolinha no meio. Tem tudo para não ser, mas é.
É tão bom que dá vontade de dar um abraço em alguém depois.

À esquerda, na foto, salmão maçaricado recheado com kani crocante. Este sushi só pode ser descrito como um balé de texturas. O peixe (que possivelmente é o melhor salmão a conhecer as praias de Natal) é tostadinho e firme por fora, macio por dentro e envolve kani empanado repousado em cream cheese. Me senti comendo a 2ª geração de uma dinastia de gostosura.

O da extrema direita é um sushi do avesso, com salmão fora e arroz dentro com um camarão tostado por cima e cream cheese no meio, tudo regado com azeite. Muito grande para uma boca menor que a minha e perto do esplendor dos outros da bandeja não fez muito minha cabeça. É bom, só não é muito bom como os anteriores.

O branquinho ao lado da colher é feito com peixe branco, lagosta e ova. Como eu detesto ova (mais sobre ova lá embaixo), comi só pelo fair play mesmo e limpei o paladar com o atum com cajá.

Agora, para a colher. Ah, a colher…

Detalhe do Shiitake Jow

O negócio aqui é o seguinte: o nome é Shiitake Jow e vem com peixe branco, shiitake e mais alguma coisa que deixa tudo docinho enquanto mantém o umami da peça.
Na época em que Rock era Rock mesmo, a colher seria o Led Zeppelin. Cercada de outras bandas igualmente empolgantes e talentosas mas de alguma forma se destacando.
Comer o conteúdo da colher é como subir numa escada para o paraíso num dia de celebração enquanto estupefato e confuso olhando o oceano.
Ele, no entanto, tem um defeito. É difícil de comer.
Mas isso é facilmente resolvível.
O ângulo de ataque deve ser o mais reto possível, com a boca vindo por cima, como a fúria do martelo dos deuses. Não tente comer pela frente como quem dá sorvete a uma criança. É bem capaz de você escancelar a boca tentando.

Quando eu achei que ia conseguir voltar para casa sem sofrer uma distensão irreversível na minha parede estomacal, vejo isso na minha frente:

Excelente opção para os ictiofóbicos.

Thai Fettuccine, com camarão, pimenta e castanha picada regados com azeite acamarãozado.
Apesar de bastante pimenta cortada, o prato não é picante (a não ser que você faça como eu e morda as fatias de pimenta) e vai ficando melhor a cada garfada. A primeira foi meio decepcionante, é verdade, no entanto foi ficando melhor e melhor.
A massa vem al dente, o camarão estudou na mesma escola de fervura daquele do Goong e ambos são complementados pela textura das castanhas.
Se seus amigos nunca chamam você para um restaurante japonês porque você não come peixe cru, convide-os para o Takami e peça um fettuccine para si.

Em seguida, a sobremesa:

Eu sei que tirar foto de comida de cima para baixo é como tirar foto de mulher de baixo para cima, mas eu já estava sofrendo de alcalose pós-prandial nesse momento.

Harumaki Strudel. Um rolinho de maçã e passas, acho que tem canela também, acompanhado de creme de baunilha com limão.
Não sei se por estar cheio demais (Meire parou de comer no segundo sushi especial e eu tive que assumir a parte dela) ou se por causa do meu viés pró-tempurá de sorvete, não achei grande coisa o strudel, mesmo a massa de rolinho deixando tudo mais gostoso. Talvez não tenha sido doce o suficiente para mim, não sei.
Ainda sinto falta de opção de uma sobremesa com chocolate, mas enquanto ainda existir o tempurá, estarei lá para comê-lo.

Tive uma excelente experiência durante a degustação.
Só preciso lembrar de nunca mais comer comida japonesa bebendo água. Geralmente eu tomo uma caipirinha (R$4,50), mas para manter minha capacidade gustativa bem apurada até o fim, pedi uma água com gás. No fim da noite, meu copo só tinha cheiro de aquário.

Palavra de Meire
Poucos restaurantes de São Paulo são tão bons quanto o Takami.

Amém.


Meu problema com ova é o mesmo problema que tenho quando levo um caldo (ou capote, dependendo do seu dialeto) de uma onda: só sinto gosto de água do mar e passo o resto do dia com a sensação de que estou com a boca cheia de areia.
Isso é especialmente verdade com caviar, que deveria ter como slogan “caviar: um pedaço da praia na sua boca”.

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5 Respostas para “Takami Japanese Restaurant

  1. Acabo de ter alucinações gustativas e olfativas lendo o post.

  2. Acabo de ter uma pontada de inveja e uma vontade quase irresistível de viajar até aí e exigir ser tratado de igual maneira.
    Sério: fiquei muito impressionado com o cardápio.

  3. Penso exatamente o mesmo de ova e caviar.
    Tô doida p experimentar esse cardápio novo!

  4. Realmente, um restaurante excelenteee! E os pratos são bem diferentes dos demais japoneses e muito saboros!!! Mil aplausos pro Takami!

  5. Ginetta Amorim

    Vou com meu namorado geralmente nas sextas e saímos de lá sem condições nenhuma, socialmente falando, de ir pra outro lugar! Indiscutivelmente o Takami é muito bom! Particularmente não gostei do Tom Yum Goong, mas realmente porque não gosto de comidas apimentadas, já meu namorado adorou. Eu comi só os camarões que por sinal muito gostoso! Resumindo tudo é muito saboroso!

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