Ó, Paí ó!

Local: Fácil de localizar, difícil de explicar. Fernando Barreto, uma ruazinha difícil de ver porque fica entre a rótula do Machadão e o Pittsburg da Prudente de Morais ou, pelo outro lado, entre a padaria Hora do Pão na Romualdo Galvão e o sinal da rótula, 1443, Lagoa Nova.

Telefone: (84) 3234-4250 e 3234-3510

Horário: de terça-feira a domingo, das 11 às 15h e depois das 18h até meia-noite.

Estacionamento: na rua, estreita e curta, sem flanelinha. Por ser uma casa, existe também um estacionamento interno, mas cabe no máximo quatro carros de estacionadores habilidosos. Ou então um dos garçons dobra como manobrista e fica empilhando carros para os clientes.

Ó, Paí ó!

A rua é pequena e, apesar da árvore, a placa é bem visível.

Impressões iniciais: “É assim mesmo que se escreve a expressão? Hum…”
Se a frase derivar de “olhe para isso, olhe” então a vírgula está no lugar errado e o correto seria “ó paí, ó”. Porém, como se trata do nome do estabelecimento não vou discutir gramática de nomes próprios. Apenas deixo anotado.

Mas, ao restaurante.

Ó, paí ó cardápio

Desenho simpático, gramática nem tanto.

Fui duas vezes em situações diametralmente opostas; uma vez fui sozinho e fui o único cliente quase o tempo todo e em outra ocasião fui acompanhado e a casa estava lotada a ponto de precisarmos esperar do lado de fora por uma mesa.
De certa forma, foi como ter visitado dois estabelecimentos completamente diferentes.

Se vir o restaurante cheio, só entre se tiver paciência extra. Porque você vai demorar a ser atendido.
Os garçons e as garçonetes me pareceram bastante inexperientes por alguns motivos; os mais óbvios foram o fato de passarem tempo demais de costas para o salão (geralmente esperando alguma coisa proveniente da cozinha que nunca vinha) e nunca avisarem que não estão recebendo o Visa (apesar de estar bem claro no cardápio que eles aceitam tal cartão).

Ó, Paí Ó - Ambiente Interno

A saída da cozinha: local preferido dos garçons

Quando fui sozinho passei vergonha pois não tinha dinheiro comigo e precisei ir sacar, voltar lá e deixar.
Isso tudo enquanto alguém de lá constantemente ligava para meu telefone, me cobrando. E não sem antes sair de lá e ouvir um “estamos aqui até as quatro, viu?”.
Não gosto de ser tratado como um caloteiro quando a culpa é da omissão e/ou descaso alheio.
Estejam avisados quanto a isso, pois.

A comida é boa, muito boa. (Mas o que não ficaria com bom leite de coco e azeite de dendê, não é verdade?)

Ó, Paí ó - Acarajé

Acarajé montável, acompanhado por vatapá, camarão, caruru, verduras e pimenta

Uma porção de acarajé vem com seis unidades “a montar” do menor quitute baiano derivado de feijão que eu já vi, tanto que os camarões são quase maiores que os bolinhos (clique na foto ao lado para vê-la em mais detalhes).
As peças chegam inteiras com os acompanhamentos em cumbuquinhas separadas para que o cliente monte como desejar.
Desde que seu desejo seja de pouco recheio, pois cabe muito pouco ali.
Ah, e prepare os guardanapos! Eu gastei três folhas por acarajé, que apesar de ser o menor é também o mais gostoso que já provei em terras norte-riograndenses, com uma casca mais crocante que Pringles de propaganda. Poderiam fazê-los mais macio por dentro, no entanto. E camarões menores também ajudariam no trabalhoso processo de montagem.

Ó, Paí ó - muqueca e acompanhamentos

Pura delícia, acompanhada de arroz, feijão e pirão

Eu comi a moqueca de peixe (ou “peixada”, para os capixabas, que não admitem que se use leite de coco em moquecas) nas duas ocasiões e posso garantir a consistência.
Da primeira vez ficou alguns segundos a mais no fogo e, vez por outra, aparecia um queimadinho no meu garfo, em forma de um torrão de delícia carbonizada. Tanto que da segunda vez não tinha e eu senti falta. Porém foi uma diferença pouca; ainda considero consistente.
Ela acompanha arroz, um pirão ótimo que eu não sei exatamente de quê (deve ser dendê) e uma porção de feijão com uma textura ligeiramente de amendoim, um pouco duro, mas muito saboroso. E, novamente, exatamente igual das duas vezes, então sei que não cozinharam errado, é daquele jeito mesmo.
Vem uma “farofa” também. Contudo, do mesmo jeito que um espírito-santense não considera moqueca baiana como moqueca de verdade, como bom natalense que sou não reconheço a existência de farofa amarela. Mas, justiça seja feita, a deles pelo menos é fininha. Nada de farinha pedregulhosa por lá. Ponto para eles.

Ó, Paí ó - muqueca

A estrela da casa

Infelizmente precisarei tirar o ponto devido à inconsistência da pimenta. Foi boa das duas vezes, no entanto foram duas pimentas completamente diferentes. Não tão forte quanto eu esperava (praticamente tão ardida quanto Tabasco) mas pode causar desconforto em alguns.

O lugar é dividido em dois e meio ambientes. Um fica do lado de fora, onde existem duas mesas que podem servir para refeições (durante a noite, pelo menos, pois de dia o sol carbonizaria qualquer um ali – vide primeira foto lá em cima) mas que normalmente servem como a fila de espera. O resto é do lado de dentro, no ar condicionado, onde você pode escolher sentar perto da porta ou perto de uma janela imensa que dá para o estacionamento interno. Não são exatamente dois ambientes separados aqui, é mais 1 ½ mesmo.

Quando estava desacompanhado, sequer haviam ligado os condicionadores de ar, então o lugar era um forno. Mas como só tinha eu contra duas ou três saídas de vento frio, isso logo foi resolvido. Bem como a falta de cheiro.
Enquanto vazio, o cheiro do lugar era CNTP, mas assim que comandaram meu pedido o ar se encheu com os vapores dendeísticos de um dia típico em Salvador e fui olfativamente transportado para suas ladeiras soteropolitanas.
Acho que o lugar se beneficiaria bastante com a aquisição de uma coifa potente. Não sei se os vizinhos aprovariam, porém. Talvez o cheiro do Pittsburg da esquina já seja uma característica das redondezas.

E antes de sair do quesito “calor”, preciso citar o banheiro.
Eu achei que o banheiro do Metropolitan fosse quente em excesso, mas alguém pode sofrer uma desidratação grave no lavatório do Ó, Paí ó! se não tiver cuidado.

O público frequentador é do tipo que faz um “jantar de família” uma vez por semana.
Como este blogue não é para críticas socias, deixarei nisso.

Ó, Paí ó - ambientação

Consegui tirar uma foto sem uma só baiana aparecendo...

Eu sempre costumo dizer o quê o local que estou divulgando tem de diferente dos outros. Neste caso preciso dizer que o diferencial é o fato de você poder comer um acarajé muito bom enquanto sentado num ambiente climatizado.
Deveria ser o fato de ser um restaurante baiano, não? Acontece que o Ó, Paí ó! não é um. É só um restaurante qualquer que, por acaso, vende moqueca e acarajé. Não tem abará, não tem xinxim, não tem bobó, quiabada nem bolinho de estudante. Tem isca de peixe, lula ao alho e óleo, polvo no vinho, casquinho de caranguejo, salada caesar, etc. E isso tem em qualquer canto.
Por mais baianas pintadas nas paredes e fitinhas do Senhor do Bonfim que eles usem como decoração ou axé music acústica que eles insistam em tocar no som da casa, é apenas um lugar como qualquer outro.
Ao meu ver, enquanto o cardápio listar mais vinhos que cachaças, não pode se classificar como “baiano”.
Esse é o pecado maior dos estabelecimentos que querem, ao mesmo tempo, ser diferentes e agradar a todos. Não acho que a população consumidora de Natal esteja preparada para comidas “esquisitas”. O que é uma pena.

Eu gostei de lá, tanto que voltei depois.
A comida é boa e farta com preço é justo.
Só precisam treinar melhor os garçons e gelar mais a cerveja.

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5 Respostas para “Ó, Paí ó!

  1. guilhermeatencio

    “Não tem abará, não tem xinxim, não tem bobó, quiabada nem bolinho de estudante. ”
    Em português, isso quer dizer o quê? Hehehehe.
    Eu não sei o que são essas comidas, mas tenho curiosidade de experimentar TODAS.

  2. “Não acho que a população consumidora de Natal esteja preparada para comidas “esquisitas”. O que é uma pena.”
    Igor, é a primeira vez qeu entro no seu blog e concordo plenamente com essa sua afirmação. É uma pena! Quando você pensa que achou algo diferente… é apenas mais um… 😦 Parabéns pelo blog. Entrarei mais vezes.

  3. Olá Igor, já havia caído aqui outrs vezes mas nunca havua lido suas considerações à respeito das visitas. Também gostei muito parabéns.
    Te espero lá no Prato Perfeito.
    Abç

  4. No aguardo de mais sugestões!

  5. Luciano G. Oliveira

    Comida muito gostosa. Matei a saudade de quando eu morei em Salvador.
    Voltarei outras vezes

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