Papito Pizzeria

Local: Rua São José, esquina com a Bernardo Vieira (sentido shopping-ponte), 1602, em frente à SEMOV.

Telefone: (84) 3213-4767 (com entrega)

Horário: todos os dias, das 18 às 23hs (segundo a garçonete, que é também telefonista, e que respondeu “assim, por cima, mais ou menos até as onze”).

Estacionamento: na calçada inclinada em frente à pizzaria e em frente às lojas ao redor, mas duvido que precisem de tantas vagas.

Em primeiro lugar, ingenuidade foi o motivo da minha ida a tal estabelecimento. Eu pensei que acabaria a enquete com a recomendação de algo bom, mas acabei me tornando vítima de um ataque imprevisto de trolls que arrastaram o resultado para o pior lado possível.
Para ver a prova, clique aqui. Sete resultados idênticos, com inicial maiúscula e um erro gráfico no “S” a mais.
Mas tudo bem, isso me ensinou a deixar claro na próxima vez que não preciso concordar com o resultado.

Agora, vamos à resenha.

Pizzaria aberta, cadeiras vazias. Informação suficiente.

Quando eu fui nesse lugar pela primeira vez eu estava saindo de um ensaio (tocando bateria) e desfalecendo de fome.
Um colega de banda disse “vamos num rodízio, eu sei onde tem um bom”. Nessa época, para nós, o adjetivo ‘bom’ era apenas uma derivação de sentido do termo ‘barato’. E como o rodízio de pizza custava seis reais e ainda dava direito a refrigerante grátis, Papito não era apenas “bom”, era sensacional!
Para um jovem músico liso e com bastante fome.
Subsequentemente, levei meus amigos lá e, já não com tanta fome, tive um balde de realidade arremessado contra meu rosto. E além de ser muito dura ela dói profundamente.

Depois dessas duas visitas em 2002, nunca mais pisei lá. E sei que minha escolha foi muito bem acertada.
Comprovei isso semana passada, revisitando o lugar para pagar minha promessa (em vários sentidos).

Notem como o lugar é bem frequentado

Ao chegar, fui recebido com um novo preço, dez reais.
Atenção: comer o quanto eu quiser incorre numa taxa de R$10.
Nem minipizza de supermercado custa só isso. Fica a dica.

Pedi um guaraná, mas “só tem Kuat”, que eu não bebo. Aparentemente, só o preparador de massas tem permissão para tomar guaraná Antarctica, pois enquanto a garçonete/telefonista/caixa me dizia que eles não trabalham com tal beveragem, ele estava tentando acabar, em um gole só, os 800ml restantes em sua garrafa da bebida inexistente no restaurante.
Deve ter trazido de casa, então.

Mas tudo bem. Ao ver que uma pessoa entrou no estabelecimento, o fazedor de pizzas (não vou me referir a ele por “pizzaiolo” pois este deve ser um termo protegido, como “champagne“, nesse caso não pela localização mas pela qualidade. Algo semelhante a chamar de “queijo da estepe” uma poça de urina estagnada e concentrada pela ação evaporativa do sol num recuo de calçada de rua de feira) resolveu preparar alguns discos de algo que, em algumas situações terrivelmente aflitivas, pode ser descrito como “comestível”.

Minha primeira opção foi entre uma pizza calabresa e uma toscana.
Como estava abrindo os trabalhos, pedi uma fatia de cada e recebi no meu prato os seguintes itens, que precisei registrar digitalmente para análise posterior:

Qual é calabresa, qual é toscana?

Sugiro que clique na foto para vê-la maior e, talvez, me ajudar a elucidar o enigma dos sabores.
Pelo menos visualmente, porque ambas tinham exatamente o mesmo gosto.
E posso garantir que não era calabresa ou toscana.

Na sequência, veio uma pizza de suvaco carne de sol desfiada e uma pizza de “presunto com Catupiry”, que na segunda volta que a bandeja deu havia mudado o nome para “à moda do chefe”.
Eu abertamente admito que nunca entendi de tendências, estações, desfiles e modelitos, mas posso afirmar categoricamente que o cozinheiro de Papito também não sabe o que é moda.
Tanto que não quis arriscar minha saúde naquilo.

Depois de uns dez minutos, a atendente veio perguntar se eu queria alguma pizza específica, visto que a única mesa ocupada até então (nove da noite de uma quinta-feira) era a minha.
Escolhi quatro queijos.

Não quero chamar certos funcionários da casa de “analfabetos numéricos”, mas a tentação é imensa.
Eu posso estar errado, mas requeijão (carinhosamente apelidado de Catupiry®) e mussarela não podem ser considerados como quatro de coisa alguma. Nem com o apoio do mussareijão preparado na hora.

Depois da quarta fatia da noite eu notei um cheiro cuja melhor maneira de descrever é usando a expressão “fora do lugar”.
Uma pizzaria normalmente exala um olor de madeira queimada e óleo quente de queijo derretido. Mas nunca de plástico queimado.

Eu me sentei perto do forno, de modo que podia ver tudo o que se passava à sua boca, incluindo o desperdício tremendo de combustível em forma de lenha inutilmente queimada em excesso para fazer, até então, três pizzas.
De quando em vez o sujeito socava um galho ou dois dentro da fornalha e aumentava o fluxo de ar, o que proporcionava o aparecimento de labaredas imensas que consumiam toda aquela matéria vegetal em alguns poucos minutos.
Isso me deixou meio desconfiado, pois eu sei reconhecer um colega piromaníaco quando vejo um. E o operador das pizzas certamente era um.
Toda e qualquer dúvida que eu ainda mantivesse quanto à tendência daquele rapaz em queimar tudo que lhe estivesse ao alcance desapareceu rapidamente quando eu vi que o pacote de requeijão havia esvaziado.

Com a mesma destreza e habilidade que um funcionário público usaria para esmagar um copo de plástico e o atirar à lixeira mesmo sabendo que ainda iria beber água naquele dia, o moço fez uma bolinha com o saco plástico que servia de recipiente para o queijo e, sem qualquer cerimônia digna de nota, a arremessou ao fogo.
O mesmo fogo onde prepara as pizzas.

Tudo bem o restaurante ser aquém de certos padrões, seus funcionários serem lentos e a comida péssima, mas servir pizza com plástico queimado? Isso é mais do que desrespeito aos clientes.
Eu teria vergonha de manter um comércio que trata os consumidores com esse nível de desprezo.

Ainda chocado demais para reagir, respondi à pergunta seguinte da senhorita com “banana com chocolate”.
Me arrependo profundamente até agora.

Logo após pedir a pizza acima, eu reparei num galão de massa corrida sobre o balcão, de onde o incendiário retirava, com uma colher de pedreiro, uma espécie de cera marrom, parecida com graxa para lubrificação de peças móveis de maquinário pesado. Como o ângulo de visão era tal que eu não conseguia enxergar onde ele depositava tanta daquela resina gosmenta, achei que estivesse se preparando para mais tarde consertar alguma peça na cozinha.
Apesar de “chocolate” estar escrito na lateral do balde, não me preocupei pois eu conheço chocolate e sei que aquela cor não existe em grupo alimentar algum.

Mas, após uns oito minutos e mais um saco plástico na fogueira, o mistério da gosma marrom é esclarecido ao chegar à minha mesa a seguinte peça:

No vocabulário de Papito, banana significa 'lixo' e chocolate, 'podre'

Mais uma vez, ao clicar na foto ela fica maior e você me ajuda com emanações de repúdio.
Esses pedaços que parecem torresmo deveriam ser de banana. Ou pelo menos banana não-fermentada.

Dizer que isso aí tem gosto de vômito é deixar de considerar o aroma, a textura, o visual, a temperatura e a revoltante sensação de mal-estar que acompanha a experiência de expelir oralmente o conteúdo semidigerido do seu estômago.

Já com dez reais a menos, possivelmente entoxicado por emissões gasosas resultantes da queima de sólidos derivados petróleo, tendo pseudorregurgitado em minha boca e me sentindo um trouxa completo, dei a noite por encerrado e voltei para casa para vomitar propriamente até o sentimento de culpa desvanecer.

Velhote, nunca atravesse a rua na minha frente

Não há frequentadores. Ninguém vai mais que uma vez a um lugar como esse.
O diferencial é que todo dia a clientela muda. Pessoas inocentes veem a fachada e o velhinho simpático acima e aceitam participar daquele buffet de tortura e lamentos.

Amigos não fazem amigos comer em Papito’s.

Aceite minha dica e não se dê ao trabalho.

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5 Respostas para “Papito Pizzeria

  1. Tava boa, deixe de exagero…

  2. Meu! Moro em Porto Alegre e aqui numa tal de Rua Cristovão Colombo tem uma meia dúzia de pizzarias dessa laia. O “bom” “senso” popular diz que —contra as normas sanitárias— em pizzaria do tipo “rodízio” não se entra sozinho. Os resultados são o seguinte:
    – Comer fatias de pizza feitas de mal gosto pelo cozinheiro.
    – Comer fatias velhas reaquecidas de uma pizza inteira que alguém antes de ti já pediu.
    – Comer fatia impregnada com ingredientes da(s) fatia(s) do(s) lado(s).
    As vezes é mais saudável (e barato) comer restos de pizza no lixo da dita. Ao menos você já espera encontrar palitos de dente e tocos de cigarro, e não terá essa surpresa.

  3. Leonardo Medeiros

    Hehe, comi no papito há uns 8 9 anos, e desde essa época o clima é desse jeito, pouca gente pizza razoável e tal, mas por incrível que pareça a melhor pizza de palmito que comi foi lá. Que pena que esteja nessa situação a tanto tempo. O pior é que toda vez que passo ali lembro daquela excelente pizza de palmito e dá vontade de parar.

  4. Eu literalmente chorei de rir aqui. Também sou colega na piromania. Fico alucinada quando vou a um bistrô que tem vela na mesa (dentro de um copinho, ou o que seja). Não descanso enquanto não coloco coisa dentro pra ver pegar fogo, rs. Cada doido…

  5. muitooo maneroo veiii …caraa eu pireii aki muito engraçada sua noite.
    escreve coisas novas.

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