Metropolitan Bistrô

Local: Apodi, numa galeria chamada Galpão 479, quase esquina tanto com a Prudente de Morais quanto com a Campos Sales, Tirol (no panfleto tem Petrópolis, mas ali já é Tirol).

Telefone: (84) 9989-8106 (sim, é um celular e sim, também achei estranho)

Horário: de segunda-feira a sábado, a partir das 16hs (sem hora para fechar) e domingo das 12 às 16hs.

Estacionamento: na calçada recuada da galeria Não sei se com ou sem flanelinha pois fui no domingo e nem guardador de carro trabalha domingo em Natal.

Fácil de achar, entre a Prudente e a Campos Sales.

Fácil de achar, entre a Prudente e a Campos Sales.

Caro, como todo bom restaurante francês deve ser (acho que é uma condição do sindicateaux d’le restauranteurs), eu paguei cento e sessenta e poucos reais, sem vinho.
Falando nisso, eles ainda não têm cardápio de bebidas, o que (tenho quase certeza) é proibido pelo código de defesa do consumidor (clique aqui e leia o § III).
Mas não estava para confusão pois tinha gostado do lugar assim que entrei.
E o motivo disso? A temperatura interna.
No dia em que eu fui estava peculiarmente quente numa cidade já normalmente extenuante e adentrar num ambiente perigosamente gelado deve ter me dado alucinações.
Raramente gosto de um lugar antes de me sentar e comer, mas o friozinho lá dentro. Hummm…

Isso e o fato de eu estar de bermuda, camiseta e chinelo (tinha planejado ir à praia mas o sol estava forte demais para os meus olhos) e ter sido recebido na porta com um sorriso do garçom.
Eu já entrei em botecos vestindo algo melhor e fui recebido com desdém.
Não gosto quando me julgam pela minha roupa, bem ou mal.
O garçom da porta olhou para mim e viu um freguês (acompanhado de uma mulher muito bem vestida a quem o sorriso talvez tenha sido direcionado, mas eu gosto de pensar que eu fui a causa).

Mas, vamos ao restaurante: ele se divide em três ambientes; três mesas ao ar-livre no beco de entrada, um ambiente fechado (com o ar-condicionado torando) e uma área aberta (mas coberta com um toldo mói da chuva).
Me estabeleci, logicamente, na parte interna, que contém sete mesas com cadeias recobertas por veludo (ou similar, não sou muito bom em identificar tecidos, mas a textura parece a das costas da minha gata) marrom e um sofá grande (que eu achei um desperdício de um bom sofá, visto que não dá para utilizá-lo, mas gostei da decoração).
Há também uma adega grande o suficiente para escolher vinhos lá dentro, junto com sua companhia e um garçom. Talvez caiba até uma pessoa extra, se for realmente necessário.

Ah, antes que eu me esqueça (algo que seria extremamente improvável pois estou com essa observação escrita à minha frente), o tempo todo em que estive lá só tocou música boa. E com isso eu quero dizer rock and roll. Talvez um ponto fora da curva, mas o sujeito que eu penso ser o dono se veste muito jeans-camiseta para colocar outro tipo de música.
O som é baixinho, tive dificuldades em identificar algumas músicas, mas dá para cobrir qualquer silêncio desconfortável que se instale entre os convivas por alguns instantes enquanto alguém não lembra de uma piada.

E agora, para os que me visitam pelas fotos extraordinárias que eu capturo, eis a primeira:

Presunto de parma e parmesão.

Presunto de parma e parmesão.

Isso aí é muito bom. Bruschetta de parma e parmesão fresco com um pozinho verde de delícia e a nova estrela da culinária potiguar, a aroeira, ou pimenta-rosa (uma espécie de Megan Fox botânica, que surgiu do nada, não é lá essas coisas todas (isso mesmo, você leu certo) e que no entanto, de uma hora para a outra, aparece em todos os lugares), tudo em cima de um pão ligeiramente crocante.
Quem for, peça e pense em mim.

Um detalhe que achei muito interessante e apenas soma ao aspecto geral (jura?) é o moedor de pimenta, que contém pimenta-do-reino tradicional (preta), pimenta branca e a, já citada, onipresente pimenta-rosa.
Mas o moedor que tinha em mãos não estava funcionando. Nem minha brilhante mente de engenheiro conseguia fazer o troço espalhar flocos crocantes de ardor e prazer sobre minha comida. Mas antes que o desespero extravasasse e eu começasse a chorar de frustração, o maitre apareceu para salvar a minha honra e se encarregou de trocar a máquina maldita.
Demorou um pouquinho mas trouxe uma que funcionava perfeitamente, o que me possibilitou experimentar aquela iguaria tricromática.

Agora, aos pratos principais.

Carrè de Cordeiro

Carrè de Cordeiro

Eu pedi um Magret de Canard (filé de pato) e minha acompanhante pediu um Carrè de Cordeiro (costela de ovelha).
O cordeiro estava muito bom, mas o pato poderia estar 25% mais macio (não comi muito do ovino, apenas provei, por isso vou me dedicar a descrever a ave).

Meu arroz parecia meio sem graça, como se estivesse insosso, mas não era o caso (acho que a proposta dele é ser até meio doce). Achei o que faltava quando o misturei com os damascos que recobrem o filé. Delícia!

Magret de Canard

Magret de Canard

A batata da foto não é a que acompanha o prato pois o acompanhamento original (que se chamam “batatas baroa”, seja lá o que isso significar) havia acabado. Então, gentilmente o garçom (novamente, excelente serviço) veio pedir desculpas e perguntar o que eu queria como substituto. Pedi uma sugestão, ele disse “pirê”, que foi prontamente rejeitado.
Dei uma olhada rápida no cardápio e escolhi a batata assada da foto. Ótima escolha a minha!
Mas cuidado, ela vem muito quente.

Eu pedi uma cerveja, mas eles só trabalham com Heineken e Stella Artois, o que me forçou a tomar uma caipirinha.
Que estava muito boa, por sinal.

Profiteroles

Profiteroles

Agora, a parte ruim (blogue é meu, falo o que quiser!): detestei a sobremesa.
Explico: profiteroles geralmente são bolinhas de massa macias com sorvete gelado e calda quente.
O que eu tomei (vide foto ali =>) estava todo morno, sem as texturas e temperaturas que eu esperaria e, a pior parte, com a massa borrachuda com jeito de velha. Se você já deixou pipoca no sereno e tentou comer no outro dia vai saber exatamente a textura disso aí =>
Além de vir num copo extremamente alto, bocudo e abarrotado, dificultando o início da manipulação com as colheres.
Nem as lasquinhas de amêndoas salvaram o doce.

Outra: o banheiro.
O banheiro faz parte da galeria (que ainda não abriu mas está quase) e não é exclusivo do restaurante.
E como aquela não é climatizada, ao contrário deste, os banheiros são horrendamente quentes (no horário que eu fui, duas e pouco da tarde de um dia com o sol forte o suficiente para me dissuadir da ideia de ir para a praia curtir o sol).

Os frequentadores são, por motivos óbvios, pessoas estribadas e que sabem o significado de nouveau riche (funcional e experimentalmente), como um sujeito mal encarado que pediu para voltar o prato pois não estava como ele esperava.
E que passou a tarde inteira com uma jarra de suco de laranja em cima da mesa sem jamais dar um gole.
Ele, a mulher e a filha.
Em silêncio.

Mas chega de fofoca, preciso terminar isto aqui para começar a escrever logo outro que tem muita gente reclamando que eu demoro para atualizar este blogue.

O diferencial do lugar é o atendimento, como eu continuo insistindo.
A comida é deliciosa mas o preço é alto, então acho que atingem um equilíbrio estático aí.
Só fui uma vez então não posso garantir consistência. E não acho que vou voltar tão cedo, pois preciso quitar o financiamento que fiz para pagar a conta antes de abrir outro (eu já disse que é caro? Mas a comida compensa. Mas é caro).

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3 Respostas para “Metropolitan Bistrô

  1. Aladim Alves

    Na minha humilde opinão o problema dessas pequenas falhas que para o conjunto se tornam grandes,é um pecado que a maoiria dos empresários cometem quando vão abrir um restalrante principalmente os que não entendem nada do ramo,investem muito no visual colocam um monte de cadeiras no salão visando claro o lucro e cometem um terrivel erro esquecem da cozinha e dos profissionais que iram fazer as iguarias….

  2. Igor eu adoro seus comentários, e é tudo verdade mesmo…..hehe….Queria q as certas revista q geralmente elegem alguns lugares aqui em Natal como melhores se desse ao trabalho de pesquisar esses maravilhosos blogs, como o seu, por exemplo, q enxergam o estabelecimento como consumidor mesmo, pq as tais melhores casas de Natal as quais já foram citadas por tais revistas, sinceramente, são muito fracas …..Parabéns viu…!!!!

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